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João Bernardo faz balanço da Época de Inverno

Entrevista ao responsável técnico do clube sobre o percurso no primeiro semestre da época desportiva.

Finalizada a época de inverno da presente época desportiva, resta-nos fazer um balanço daquilo que foi feito, o que ficou por fazer e o que podemos melhorar, neste nosso percurso enquanto clube de atletismo e dinamizador da modalidade. Para esta análise, conversámos com João Bernardo, Responsável Técnico do Setor de Competição do Juventude Vidigalense.

 

Quais foram os resultados mais relevantes da época de inverno?

Felizmente os nossos atletas, independentemente do contexto, continuam a surpreender-nos e a mostrar um nível muito elevado de desempenho desportivo pelo qual nos orgulhamos imenso. A nível individual, o nosso último Campeão de Portugal tinha sido em 2018, mas este ano, contra aquilo que seria expectável, André Pimenta (ainda sub23 de primeiro ano) conseguiu um resultado extraordinário (7,67m), que o levou a trazer de volta um título nacional absoluto para nossa casa, assim como garantir a melhor marca nacional do ano no salto em comprimento. Com este registo, o atleta conseguiu marca de qualificação para o Campeonato da Europa e do Mediterrâneo, no escalão de sub23, apesar de, segundo os critérios, terá ainda de confirmar esta marca. Não é fácil destacar individualidades numa estrutura tão grande como a nossa, mas este foi um ano em que foram alcançadas quatro vitórias individuais no Campeonato Nacional de Clubes I Divisão, algo que nunca tinha acontecido na história do clube. Para além do já referenciado André Pimenta, contamos ainda com vitórias na I Divisão de Oleksandr Lyashchenko, no triplo salto, com um novo recorde pessoal em pista coberta (15,57m), Raquel Lourenço, nos 60 metros barreiras (8,64s) com um extraordinário recorde pessoal e Rafael Correia (8,23s), igualmente nos 60m barreiras. Rafael Correia e Raquel Lourenço subiram ainda ao pódio nos Campeonatos de Portugal. O Rafael nos 60m barreiras e a Raquel no Pentatlo, ambos alcançando medalhas de bronze nos respetivos eventos. Para terminar os destaques individuais, referenciar os três recordes distritais alcançados durante este inverno. Miguel Carreira e Bernardo Pereira bateram marcas datadas de 2009, mais de uma década sem serem ultrapassadas. Nos 400m em pista coberta, o Bernardo superou o registo de Bruno Gualberto (48,75s), colocando o novo recorde em 48,62s. Já o Miguel dizimou o recorde de Carlos Vicente (64,82m) no lançamento do martelo, registando a nova marca em 66,46m. O atleta juntou ainda a este registo a medalha de bronze no Campeonato Nacional de Lançamentos Longos. André Oliveira alcançou também o recorde distrital de sub23 no Heptatlo (4781pontos), que já lhe pertencia, acumulando ainda a medalha de bronze nos Campeonatos de Portugal de Provas Combinadas.

Em termos coletivos, os nossos objetivos são sempre estar presente em todos os pódios coletivos possíveis. Fazemos um balanço positivo também neste capítulo, onde estivemos presentes em três pódios dos quatro possíveis. Conseguimos o terceiro lugar no pódio em masculinos e femininos no escalão de Sub23, o segundo lugar masculino na I Divisão e o quarto lugar feminino (a apenas 2,5pontos do segundo lugar) também na I Divisão. Como já é hábito apresentámos duas equipas no Campeonato Nacional de Clubes extremamente jovens, a feminina com uma média de idades na casa dos 20 anos e a masculina nos 23, com uma percentagem superior a 60% de atletas da região de Leiria. Estes números demonstram a qualidade do trabalho desenvolvido internamente, onde conseguimos que mais de metade dos atletas que nos colocam entre as melhores equipas nacionais em termos absolutos, desenvolvam o seu trabalho na nossa região e acompanhados pelos nossos técnicos. No que diz respeito ao escalão de Sub23, voltámos a ter as duas equipas no pódio, algo que já não acontecia em pista coberta desde 2018.

Lamento apenas que não tenham sido realizados os Campeonatos Nacionais de Sub20 e Sub18, duas competições onde tradicionalmente conseguimos excelentes desempenhos e onde tínhamos bastantes jovens com aspiração a resultados brilhantes, tando do ponto de vista individual como coletivo.

 

Quais as condicionantes causadas pela pandemia na preparação destes atletas?

Na altura do confinamento os atletas escalados para a I Divisão conseguiram continuar a utilizar a pista do Estádio Municipal de Leiria, onde treina a maioria da equipa. No entanto, os nossos atletas que residem fora de Leiria nem sempre tiveram as mesmas facilidades. Apesar de terem sido feitos vários pedidos para a utilização de infraestruturas, alguns foram recusados, pelo que houve atletas a apresentarem-se para competir na prova mais importante da época de inverno sem terem pisado uma pista sintética há quase dois meses, em contexto de treino. Valeu a resiliência dos nossos atletas que mantiveram uma seriedade inabalável com os compromissos estabelecidos com o clube no início da época desportiva.

 

Consideras que as expectativas do clube para o inverno foram cumpridas?

Um clube como o nosso tem sempre o objetivo de alcançar o máximo de pódios possíveis e potenciar os jovens atletas nas suas competições nacionais. Dentro daquilo que nos foi disponibilizado no calendário competitivo, podemos dizer que foi uma época de inverno bastante positiva. Terminamos com três pódios coletivos, dois títulos nacionais individuais, quatro vice-campeões nacionais e dezassete medalhas de bronze.

Foi um período difícil, em que nem todos os atletas conseguiram ter oportunidades para competir, pois o calendário competitivo foi muito variável, com muitas provas a serem canceladas ou a aparecerem à última da hora. Atletas e treinadores conseguiram ir flexibilizando a sua preparação e contra aquilo que seria expectável, grande parte deles com novos recordes pessoais, algo que nos enche de orgulho.

 

Quais os maiores problemas encontrados nesta época de inverno?

Para além do que já mencionei relativamente à dificuldade de acesso a algumas infraestruturas, o maior problema reside nos escalões mais jovens. Podemos estar a preparar-nos para passar a fase mais complicada das últimas décadas não só na nossa modalidade, mas no desporto em geral. Cada vez mais é proporcionada uma vida sedentária aos nossos jovens, ainda mais visível com o fecho das escolas durante este período. Numa altura em que parece ser propícia a captação de novos praticantes para o atletismo, deparamo-nos com a dificuldade de não haver calendário competitivo para atletas até sub18, tornando mais difícil motivar e fixar os jovens na modalidade. Existem muitos jovens atletas cuja última competição foi no longínquo mês de novembro, isto para aqueles que começaram a época logo no início e tiveram essa oportunidade. Desde então, as oportunidades foram ficando cada vez mais escassas (ou inexistentes). Mesmo nos sub18, atletas que podem participar num Campeonato de Clubes, foram impedidos de competir sensivelmente desde o início de janeiro. Os clubes e os treinadores ficam com a difícil tarefa de motivar os atletas sem qualquer objetivo calendarizado.

Esperamos que neste verão as coisas se tornem mais fáceis para os escalões de formação. Felizmente o Juventude Vidigalense conta com um apoio técnico fantástico que se sacrifica diariamente para que os nossos jovens não desmotivem e continuem a sonhar com grandes conquistas.

 

Quais os objetivos para a época de ar livre?

Como sempre, os nossos objetivos passam por alcançar um lugar em todos os pódios coletivos, procurar medalhas individuais em campeonatos nacionais, alcançar marcas de qualificação para competições internacionais e promover jovens atletas às principais competições nacionais. Para além disto, estamos comprometidos em recuperar atletas que tenham abandonado a sua modalidade desportiva, captar jovens para aumentar os números de prática da modalidade e fazer com que a modalidade continue a crescer na região.

Agora que regressámos aos treinos, não negligenciando as questões de segurança, vislumbramos com muita esperança esta oportunidade de trazer novos jovens para a modalidade, e em particular para o Juventude Vidigalense. Temos de novo inscrições abertas e estamos sempre prontos a receber jovens que estejam à procura de novos desafios!



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